domingo, 21 de fevereiro de 2010

Recordação das vivências espirituais: a “ponte” entre “dois cérebros”

Refletindo um pouco sobre a problemática da recordação de nossas vivências espirituais, enquanto seres encarnados, resolvi hoje meditar um pouco sobre os mecanismos que nos levam em determinadas circunstâncias a lembrar de nossa vida espiritual, enquanto em repouso físico temporário chamado sono.

Primeiramente desejo deixar claro que aqui exponho apenas uma reflexão minha, uma teoria. Não a considerando certa, nem errada, apenas uma opinião momentânea, fruto de reflexão, de leituras anteriores e paralelos realizado por mim, nunca tomando como verdade absoluta mas apenas como possibilidade a ser testada e verificada por todos nós.

Faço aqui um paralelo aos mecanismos de memória do cérebro físico e enquadro com outros sistemas mais sutis de nossa constituição espiritual. Sabemos que nossa mente é constituída de vários níveis de consciência e formas variadas de memória, conforme estudada pela ciência terrena.

O cérebro físico é muito semelhante à máquina inventada pelo homem chamada computador, onde há uma memória temporária chamada memória RAM e outra onde as informações ficam gravadas definitivamente, chamadas H.D. ou disco rígido.

Talvez podemos imaginar que também em nosso cérebro biológico observamos que há áreas onde a memória fica temporariamente armazenada e outras onde por algum motivo ficam permanentemente registradas. Por exemplo, se assistimos a um filme, podemos após alguns minutos passados do mesmo contar com riqueza de detalhes para amigos o que vimos e ouvimos, observamos que passado alguns anos apenas as cenas e os fatos mais fortes, importantes ou marcantes a nós, talvez aquelas que mais impressionaram nossas emoções, serão recordados ficando os demais detalhes perdidos em fato desta memória temporária.

Observando esta realidade que com certeza todos já experimentamos, observo aqui que apenas aquilo que de alguma forma nos interessa, que nos impressiona em um nível diferenciado ou mais aprofundado, seja esse emocional ou mental abstrato, ou outro qualquer, tendo uma importância, portanto “especial” e diferenciada, fica guardado permanentemente em nossa “H.D.” biológica.

Reflito que, paralelamente, quando nos sensibilizamos com a espiritualidade, buscando um autoconhecimento, lendo, estudando e pesquisamos, abrimos mesmo que sem ter conhecimento disto uma pequena porta para a sensibilização das memórias e vivência de nossos corpos mais sutis ou espirituais a terem contato a memória consciente física. É a chamada por mim de “ponte”. Ocorrido isto seja pela força de vontade ou desejo íntimo do ser humano em se auto-aperfeiçoar ou buscar algo a mais que a vivência física comum a todos.

Observo aqui também que pessoalmente por experiência própria posso dizer que apenas obtive minha primeira experiência totalmente consciente fora do corpo, sentindo minhas energias e tudo mais, que eram ocorrências totalmente “novas” para mim, apenas após ler alguns livros teosóficos que abordavam os planos sutis de existência ou chamados planos espirituais. Acredito que isto não seja uma mera coincidência! Acredito que de alguma forma uma portinha foi aberta dentre dois cérebros de forma que mesmo depois de passados muito anos após minha primeira experiência projetiva ainda vez por outra tenho lembranças, mesmo que curtas, de minhas andanças espirituais ocorridas durante o sono do corpo físico. Levando obviamente em conta que meu eu real nunca se cansa, portanto não precisa de repouso, apenas meu corpo que é constituído de nervos, músculos, células e tudo mais que se desgasta durante o dia e necessita se refazer, mas minha mente, ou seja, eu mesmo não.

Talvez a boa música, aliada as boas leituras e filmes ou palestras assimiladas também tenha seu papel como estimulante ao cérebro biológico para uma abertura “consciencial” a vim de vislumbrar novos horizontes pelo buscador espiritual.

Provavelmente até mesmo aqui teclando e me esforçando por passar algo que esteja além das três dimensões seja também um exercício para tal. Aqui no ocidente não temos o hábito da prática da meditação em assuntos elevados. Irei iniciar a esta prática também pois com certeza deve ativar mais outras áreas do cérebro que normalmente ficam adormecidas ou ocupadas com nossos afazeres diários, materiais e comuns em nossa vivência física.

Imagino um cérebro como um conjunto de vários músculos onde alguns estão em ótima forma, por exercitarmos diariamente em nossas tarefas, porém com certeza muitos outros estão quase que totalmente atrofiados por estarem sendo muito pouco utilizados no decorrer de nossa vivência biológica.

Vejo que o ideal é o sempre o equilíbrio, o exercitar a mente como um todo, tanto em aspectos físicos, com estudos relativos nossa atual e temporária morada física como também com meditação e estudos de nossa pátria real que não está na terra, mas sim nas coisas do espírito. Como já me questionaram recentemente e aqui escrevo minha resposta: respeito aqueles que pensam e agem diferente, mas hoje, e não posso mudar isto da minha forma de ser, digo que apenas o concreto não me satisfaz....

Acredito que devemos buscar a viagem astral não apenas como fenômeno, com muitos e interessantes detalhes, mas também como ferramenta para esta abertura ou ponte definitiva entre nossa realidade física e espiritual. Como eternos buscadores, temos que marcar altos objetivos que estão além da realidade da saída do corpo, mas também e principalmente relacionado com nosso crescimento, seja este no corpo e também fora do corpo, pois nem sempre estaremos “anexados” a um.

Voltando aos meus questionamentos verifico que nosso cérebro físico “grava” mais facilmente e definitivamente aqueles fatos que mais nos importam e nos impressionam. Fazendo um paralelo com outros cérebros mais sutis que existem na constituição do Ser, sou levado a crer que as lembranças de nossas experiências astrais serão mais fortemente gravadas de maneira consciente ao cérebro físico se elas realmente nos importar, ou seja, se realmente meditarmos a respeitos das coisas do espírito e não apenas termos um mero conhecimento mental assim como fazemos ao ler uma receita de bolo.

Devemos sentir as coisas do espírito com todo nosso amor, buscando o autoconhecimento existente além das formas ou do “maia” como é dito na Teosofia. Importante criarmos o habito de ver e sentir as coisas “com os olhos do espírito”, ou seja, buscar uma compreensão maior das coisas, mesmo sabendo e estando limitadas a matéria e dimensão tridimensional física. Reconhecer estes fatos de maneira consciente buscando ir além apenas do conhecimento intelectual já é um passo para esta ponte, penso eu.

Talvez devamos experimentar outras formas de impressionar nossa mente a abrir ou construir esta ponte “entre cérebros”. Quem sabe esta ponte seja constituída de uma síntese de conhecimento intelectual, de um sentimento profundo e avançado e muita força de vontade de melhorar a si mesmo.

Aprendi em leituras teosóficas que seres em estado primitivo de evolução, como por exemplo, no reino animal, após um esforço próprio em se aperfeiçoarem junto com o amor de seres já individualizados ocorre sua própria individualização, passando então a outros níveis maiores da evolução. Fazendo então um paralelo conosco, talvez necessitados de um esforço realizado por nós mesmos e certamente estaremos sendo sempre assessorados por outras consciências muito além de nossa atual concepção que torcem por nosso auto-aperfeiçoamento. Existe uma porta, que deverá ser aberta por nós mesmos, não por eles.

Vamos cada um de nós construirmos nossa “ponte entre cérebros”, procurando principalmente não apenas conhecer estes assuntos, mas senti-los profundamente em nossa alma a fim de impressionarmos partes adormecidas ou pouco exercitada de nossa constituição física-espiritual. Isto sem pressa, pois para as coisas do espírito e para a evolução eterna um piscar de olhos e mil anos nada significam.
Muita paz,
Alexei Bueno.

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